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Aristóteles inicia a sua Metafísica dizendo que “todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer”. As artes, ou técnicas, são desenvolvidas por meio da experiência e transmitidas pela linguagem para que não seja preciso, a cada nova geração, reinventarmos a roda.

Um jovem escravo serve dois homens num triclinium, parte da casa dos romanos que era adornada para receber convidados para um banquete. Esta cena representa uma fartura de bens úteis: há uma mesa central desenhada para esta ocasião, um vaso é usado para servir um vinho, que também por sua vez depende de muitas técnicas para ser feito, desde o plantio da uva até os processos mecânicos de extração do suco da fruta. Há também mais elementos confeccionados por meio de várias artes.

O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli

Óleo sobre tela. Um exemplo de bem aprazível. Diríamos que o bem aprazível não tem “função prática”, é o que também pode adornar locais e outros objetos.

Essa última classe de bens é buscada pelas Artes Liberais, que foram utilizadas desde o período clássico para buscar a adequação do intelecto à realidade do mundo e tornar possível o conhecimento da Verdade. É por esse conhecimento que o homem, animal racional, se torna capaz de transcender a si mesmo e à sua própria condição, podendo se libertar das amarras da ignorância e buscar uma vida cheia de Beleza, Bondade e Verdade, esses três bens que não se separam.

A Educação de Aquiles

O quadro representa a educação de Aquiles pelo centauro Quíron, onde notamos que o jovem segura uma lira ao aprendizado da música, arte que nunca de desprendia da poesia. Aquiles e também outros grandes heróis da mitologia teriam sido educados nas artes pelo centauro, assim como Hércules, Ulisses e Jasão, dentre outros. Com ele formavam um caráter de grande nobreza, aprendiam os bens valiosos.

Essa é a verdadeira democracia, como nos mostrou Chesterton: a democracia dos mortos. Não é possível que vivamos no século XXI sem dar voz a Aristóteles, Cícero, Dante, Shakespeare. Como o deus romano Ianus, é preciso construir o futuro mantendo os olhos no passado, aprendendo com aqueles que foram maiores do que somos.

Deus Iano (Ianus)
Uma de suas faces era voltada para o futuro, para frente, e a outra para o passado, para trás. É a divindade da qual vem o nome do primeiro mês do calendário: Ianuarius, em latim e Janeiro, em português.

Trivium

Gramática

É o estudo das letras (γράμμα), que busca o uso da língua com correção desde a sua causa material, que é o som, até à composição e à crítica literária, sem se limitar a aspectos da gramática normativa.
Os principais veículos do conhecimento, até o século XVIII, são as línguas antigas:

Latim e Grego Clássico. Dominar as línguas clássicas é fundamental para ter acesso aos textos antigos e à sua cosmovisão, além de preparar os estudos das demais artes da linguagem.

Retórica

A arte do bem dizer, como foi definida por Quintiliano, tem por fim a adequação do discurso às situações para mover os afetos e persuadir para aquilo que é bom e verdadeiro.

Seu estudo se dá, principalmente, pela imitação dos grandes prosadores e poetas, pois não basta usar a língua com correção, mas é preciso reconhecer a melhor forma de entender e expressar as realidades em um discurso apropriado.

Lógica

Como arte liberal, a Lógica trata de ordenar o discurso à verdade. A partir da leitura e escrita, surgirão, na vida intelectual, objeções, dúvidas, desenvolvimentos; na concepção tradicional, a Lógica é a técnica para meditar corretamente, ou seja, analisar e confrontar as realidades tratadas no discurso. A meditação se materializa na dissertação; por isso, a lógica era definida por alguns como a ars disserendi, a arte de dissertar.

Cursos

Em nosso Programa de Estudos Liberais, oferecemos um estudo específico de gramática em lingua portuguesa e grego e latim ao domínio de elementos e classificações gramaticais e ao desenvolvimento da línguagem.

Como etapa inicial e primordial do trivium, dentre outras tantas narrativas e textos explicativos, apresentamos a mitologia grega e latina em suas obras de maior importância como a Teogonia, de Hesíodo; Ilíada e Odisseia, de Homero; Eneida, de Virgílio; As Metamorfoses, de Ovídio.

A Procissão do Cavalo de Tróia em Tróia.

A Ilíada é a grande Epopéia Grega juntamente com a A Odisseia. A história da guerra de Tróia nos conta o caminho de Aquiles até o seu fim e unifica mitos e lendas gregas numa história só. O cavalo de tróia é a maquinação dos gregos que conclui a tomada da cidade dos troianos.

A Vingança de Ulisses sobre os pretendentes de Penélope.

Ulisses, para os latinos e, para os gregos, Odisseu:é o herói grego que precisa voltar para casa, após a guerra, para estar junto da esposa, do filho, e reinar em Ítaca. O caminho de volta para casa é inesperadamente turbulento, mas lhe dá o grande triunfo como verdadeiro herói.

Em paralelo temos os estudos das narrativas bíblicas do Antigo e Novo Testamento. Coroamos todos estes conteúdos nos cursos de língua portuguesa, nos quais o gênio poético de Camões se usa de todo seu conhecimento da história de Portugal e de todas as narrativas ocidentais em suas poesias. Apresentamos essencialmente a lírica de Camões, com o estudo do soneto, e depois, quando os alunos já têm conhecimento das referências bíblicas e mitológicas, estudamos a grande epopeia de Portugal, Os Lusíadas.

Sinaxário dos Doze Apóstolos, atualmente no Museu de Moscou; Jesus e os Doze.

O Antigo e o Novo Testamento são narrativas, e como bem sabemos, se sobrepuzeram à cultura de um império e perpetuaram-se para além do tempo de Jesus e os Doze apóstulos.

Luis Vaz de Camões

O autor da maior epopeia da língua portuguesa, Os Lusíadas.

 

A partida de Vasco da Gama para a Índia em 1497.

A viagem do navegador Vasco da Gama, protagonista em Os Lusíadas, pode ser considerada um dos grandes símbolos da nação portuguesa. A imagem retrata também o tema da obra que se equipara às epopeias gregas e latinas, desde Os Argonautas até Virgílio.

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Imagem frontal da Catedral de Notre-Dame.

No centro da imagem podemos ver uma rosácea um tanto complexa, cuja construção descrita verbalmente pode nos revelar uma ordem, que, por sua vez, pode formar um discurso lógico que vai além da simetria e da estética. Nesta imagem todo o número e todo personagem nos leva a uma narrativa muito maior a ser contemplada.

Quadrivium

Aritmética

Toda a pessoa que passou pelos bancos escolares possui conhecimentos matemáticos, por mais que limitados e insuficientes. A aritmética como arte liberal busca não tanto a capacidade mecânica de calcular de forma eficiente, mas o entendimento da teoria dos números e quantidades para desenvolver as capacidades científicas nos demais ramos da matemática.

Geometria

Como arte liberal, a Geometria, principalmente a Euclidiana, busca desenvolver a imaginação e a compreensão das realidades abstratas que independem da matéria, como definiu Platão. Sua concretização servirá para analisar o conteúdo aprendido e, em seguida, usar os conceitos geométricos para desenvolver as artes mecânicas como construção, carpintaria, et cetera.

Música

Além de bela arte, a música é também uma arte liberal. A teoria musical é aplicação das quantidades aritméticas, além de desenvolver a memória e a expressão da alma humana por meio de harmonias, ritmos e melodias.

Astronomia

Estudo da mecânica celeste, aplicação da Geometria, e do simbolismo astrológico. Indispensável para a compreensão das obras dos maiores pensadores do Ocidente e de sua cosmovisão.

O relógio astronômico. As funções, os símbolos e a tecnologia de um relógio astronômico reúnem muitos conhecimentos do Quadrivium.

O Quadrivium, de algum modo, já é apresentado em nossos cursos do Módulo I do Programa de Ensino Liberal, pois encontramos na literatura apresentada, assim como nas explicações de aula, elementos importantíssimos do estudo de Aritmética, Geometria, Música e Astronomia.
Sem algumas noções, por mais básicas que sejam, dessas artes, também não conseguimos compreender nossas próprias referências literárias iniciais. Mas não conhecer o Trivium é ainda mais grave ao objetivo deste estudo; por isso, é das lições da primeira parte do Programa de Ensino Liberal que tiramos o material essencial para compreensão do Quadrivium. Depois, é claro que, passadas as primeiras lições, as quatro disciplinas ganham atenção especial.

A compreensão da Aritmética será buscada tanto de maneira prática, em nossos cursos, quanto pela reconstrução de conceitos mais abstratos que não são tratados hoje de modo adequado na formação escolar comum. Muito disso será apresentado pela leitura de conceitos e descrições antigas em que encontramos os números como símbolo e ferramentas de expressão. Nesse entendimento, do número como algo além de quantidade, foi que a escola pitagórica trouxe tanta sabedoria ao mundo.
Pitágoras vai além das operações matemáticas, nos leva a ver a beleza e a harmonia dos números, nos ajuda a responder questões filosóficas e deu ao mundo a inspiração para o raciocínio perfeito em todas as ciências. Em nossos estudos, usamos os números como símbolos e ferramenta para alcançar ideias muito abstratas.
A Geometria será apresentada em exercícios de imaginação, que podemos chamar também de uma prática de construção a partir de conceitos abstratos, tendo como principal material de apoio a obra de Euclides.
Euclides deu ao ocidente a obra Os Elementos, a qual foi estudo indispensável de gerações de intelectuais. O exercício dos conceitos e das construções geométricas são partes imensuráveis da imaginação que nos levam à compreensão da estrutura da realidade.
Para o curso de Música, o objetivo final é que os alunos sejam capazes de se orientar na história da música e dominar símbolos para que possam ler notações e compreender peças e arranjos musicais. A compreensão profunda da música depende de conhecimentos sobre música e da prática da música. Nada mais adequado do que estudar Teoria da Música, de Bohumil Med, nosso livro base.

Uma das notações medievais mais antigas.

As notações medievais mais antigas continham apenas a proporção entre as alturas, mas não as notas como temos nos documentos atuais, era uma simbolização muito simples. Neste curso, também vamos compreender o quanto estamos próximos ou distantes das interpretações musicais de grandes compositores.

Nosso curso de astronomia, terá a ênfase no conhecimento básico astronômico e na simbologia astrológica, que é encontrada em narrativas antigas, em muitos temas científicos e teológicos, escrituras sagradas de tradição Judaica e Cristã, obras medievais e assim por diante. Sem essa arte, as outras também não se completam. O movimento dos planetas também é chave de leitura de mitos e inúmeras poesias que são dadas nos Módulos I e II do Programa de Ensino Liberal.

Como sabemos, se trata do estudo do firmamento, de uma constituição celeste que nada mudou do ponto de vista humano desde que os homens registram seus primeiros conhecimentos, ou seja, olharam para o mesmo céu, e do seu referencial, viram o mesmo que nós vemos hoje.

O mapa das constelações.

Todas as civilizações observaram o céu, parte do que viram originou símbolos, lendas e mitos, assim como parte de suas narrativas lhes deram símbolos para falar do céu.

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