Aristóteles inicia a sua Metafísica dizendo que “todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer”. As artes, ou técnicas, são desenvolvidas por meio da experiência e transmitidas pela linguagem para que não seja preciso, a cada nova geração, reinventarmos a roda.

Por meio das artes, é possível buscar três tipos de bens: os bens úteis, como uma mesa, que é elaborada pela arte da carpintaria; os bens aprazíveis, como a Vênus de Botticelli, o qual dominava a arte da pintura; e os bens valiosos, como o conhecimento e a virtude, que são queridos por si mesmos. Essa última classe de bens é buscada pelas Artes Liberais, que foram utilizadas desde o período clássico para buscar a adequação do intelecto à realidade do mundo e tornar possível o conhecimento da Verdade. É por esse conhecimento que o homem, animal racional, se torna capaz de transcender a si mesmo e à sua própria condição, podendo se libertar das amarras da ignorância e buscar uma vida cheia de Beleza, Bondade e Verdade, esses três bens que não se separam.

Ainda assim, como disse Sêneca, não devemos estudar as Artes Liberais, mas sim tê-las estudado. O Trivium e o Quadrivium compõem a preparação para os estudos superiores que merecem a nossa devida atenção: Direito, Filosofia, Ética, Letras, Teologia, Histórica, Literatura e tantas áreas do conhecimento que necessitam de um treinamento do intelecto para que seja possível alcançar os grandes homens que nos precederam. Essa é a verdadeira democracia, como nos mostrou Chesterton: a democracia dos mortos. Não é possível que vivamos no século XXI sem dar voz a Aristóteles, Cícero, Dante, Shakespeare. Como o deus romano Ianus, é preciso construir o futuro mantendo os olhos no passado, aprendendo com aqueles que foram maiores do que somos.

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